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Renato Cecchini

Autores: Viktoria Klara Lakatos Osorio

Editores Associados: Leila Cardoso Teruya

Última atualização: 13/04/2021

Em 2001, geólogos que estudaram na escola na alameda Glette fundaram o “Grupo Figueira da Glete”. Tiveram sucesso em obter muda da figueira, a única lembrança material que restou no local após a demolição dos prédios, e deram ampla divulgação quando ela foi plantada no campus Butantã da USP, no dia do geólogo, 30 de maio de 2003. Convidaram para o plantio os egressos dos outros cursos ministrados na Glette - História Natural, Química e Psicologia - e ofereceram espaço para eles na página eletrônica do Grupo.

Também gletteana e assim motivada, fui garimpar imagens para a página. Procurei o Prof. Renato Giovanni Cecchini, no seu escritório no Bloco 3 superior, e ele me atendeu com a sua solicitude e generosidade habituais. Ele se graduou em Química em 1949 e possuía cerca de 40 fotografias, que emprestou para digitalização. Ainda se dispôs, com evidente satisfação, a identificar as pessoas, locais e datas, revelando uma memória prodigiosa e um grande envolvimento com a escola. Difícil selecionar o que apresentar aqui. Segue-se apenas um pequeno recorte do conjunto.

1949. Alunos do curso de Química da FFCL-USP, Luiz Roberto de Moraes Pitombo e Renato Cecchini, em frente à entrada do palacete da Glette, numa pausa do trabalho no laboratório de Química Orgânica Preparativa (janelas ao fundo).

 

Em 1952, Renato Cecchini obteve uma bolsa de estudos da “Union de l’Université et Industrie de Bordeaux” que lhe permitiu estagiar durante cinco meses na Faculdade de Ciências de Bordeaux.

Nascido na França, filho de mãe francesa e pai italiano. Elegância, classe, postura.

 

Em julho de 1953, foi contratado como assistente de Físico-Química e Química Superior do Departamento de Química da FFCL USP e doutorou-se em 1962. Com grande apreço pelo trabalho experimental rigoroso, teve atuação decisiva na montagem do primeiro laboratório didático de Físico-Química em 1959 e na transferência do laboratório de pesquisa para novas instalações, no início dos anos 1960.

Renato Cecchini no laboratório de pesquisa de Físico-Química, na ala mais nova do prédio do Departamento de Química da FFCL-USP, na alameda Glette, 463.

 

Em 1966, o Departamento de Química transferiu-se para o Conjunto das Químicas, na Cidade Universitária, e a Físico-Química instalou-se no Bloco 3, onde se localizou também o escritório do professor Cecchini, no início no piso térreo e posteriormente no primeiro pavimento, com a sua coleção de livros, que ele consultava constantemente. Esses livros, repletos de anotações e frases grifadas, testemunham o quanto eram solicitados.

Aposentado da Universidade em 1995, aos 70 anos, manteve seu contato e atividades no Instituto de Química, como Professor Sênior, sempre fazendo questão de ser escalado para dar aulas. Continuou assim no laboratório de ensino de Físico-Química, que ele mesmo criara.

Renato Cecchini com o colega e amigo, Gianluca Camilo Azzellini, em seu escritório no Bloco 3 superior. Junto à parede do lado direito, fotos e o rádio.

 

Em 2010, quando também me aposentei, iniciamos almoços mensais com colegas no restaurante no prédio da FEA. Renato Cecchini era frequentador assíduo e sentava-se sempre na cabeceira da mesa. Reclamou muito quando pararam de servir vinho em virtude da proibição de consumo de bebidas alcoólicas no campus. Reclamou também quando parte do amplo estacionamento foi fechado para iniciarem novas construções, dificultando encontrar vaga para estacionar a sua bem conservada Variant, de que muito se orgulhava. A seu respeito, Renato nos contou que alertou as filhas de que não se tratava de um carro velho e sim de um carro de colecionador, o que aumenta muito o seu valor. Ele era apaixonado por carros. Antes da Variant, teve um Jaguar, mas precisou se desfazer dele quando os custos de manutenção se tornaram proibitivos. Segundo ele, era como ter uma segunda família!

Renato Cecchini foi o docente que mais tempo lecionou no curso de química da USP em São Paulo e, ao longo de todos esses anos, os seus colegas tornaram-se admiradores e amigos. Quando foi divulgada a notícia do seu falecimento, aos 20 de março de 2021, o correio eletrônico da diretoria do IQ começou a receber depoimentos espontâneos e comovidos de pessoas que sentirão muito a sua falta. Esses depoimentos foram originalmente publicados no [site do IQ] e estão compilados em um arquivo disponível para [download].

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