Fundadores e Pioneiros

Conheça alguns dos personagens que fazem parte da história da Química e da Bioquímica da USP

 

Última atualização: 25/03/2016

 

Blanka Wladislaw

Blanka Wladislaw (Varsóvia, Polônia, 03/06/1917 – São Paulo, 26/01/2012), química naturalizada brasileira, formada pela FFCL USP em 1941, doutoranda e depois colaboradora de Heinrich Hauptmann, assumiu o setor de Química Orgânica após o falecimento do mestre em 1960. Defendeu tese de livre-docência em 1958, tornou-se professora associada em 1965, ascendendo ao cargo de professora titular em 1971. Desenvolveu pesquisa nos campos de compostos orgânicos de enxofre, eletrossíntese orgânica e físico-química orgânica. Foi Chefe do Departamento de Química Fundamental do Instituto de Química de 1976 a 1980.

 

Ernesto Giesbrecht

Ernesto Giesbrecht (Ponta Grossa, PR, 27/03/1921 – São Paulo, 20/07/1996), graduado em Química pela FFCL USP em 1943, permaneceu na escola como assistente de Heinrich Rheinboldt, doutorando-se em 1947. A partir de 1957 passou a desenvolver novas linhas de pesquisa sobre compostos lantanídicos. Conquistou a cátedra de Química Geral e Inorgânica em 1961. Na década de 60, participou do esforço de renovação do ensino de Química e coordenou no Brasil o Programa Multinacional de Química patrocinado pela Organização dos Estados Americanos (1969-1975). Foi diretor do IQ USP de 1974 a 1978 e da FFCL-USP de Ribeirão Preto de 1981 a 1984.

 

Francisco Jeronymo Salles Lara

Francisco Jeronymo Salles Lara (São José dos Campos, 22/06/1925 – São Paulo, 2004), biólogo de formação, Ph.D. pela Universidade de Stanford, era professor titular de Biologia Molecular na Faculdade de Farmácia e Bioquímica, quando se instalou com o seu grupo no Conjunto das Químicas. No IQ USP, foi o primeiro Chefe do Departamento de Bioquímica (1970-1971). Nomeou comissão assessora para a modernização do ensino de graduação no departamento. Teve participação ativa na criação da pós-graduação na área de Bioquímica e na formulação do projeto BIOQ-FAPESP, que coordenou de 1970 a 1971. Em 1989 transferiu-se para o Instituto de Biociências.

 

Giuseppe Cilento

Giuseppe Cilento (Sorrento, Itália, 21/07/1923 – São Paulo, 31/10/1994), graduado em Química pela FFCL USP em 1943, doutorou-se em 1946 sob orientação de Heinrich Rheinboldt e foi assistente de Heinrich Hauptmann. Defendeu a cátedra de Química Orgânica e Biológica em 1961. Foi Chefe do Departamento de Bioquímica do IQ USP por duas vezes (1971-1975 e 1977-1981). Participou da criação do Instituto de Química da Unicamp, que coordenou de 1966 a 1978. Pesquisador de excepcional competência científica, destacou-se pela contribuição fundamental nas áreas de ativação do oxigênio molecular e no estudo de processos fotobioquímicos que ocorrem na ausência de luz.

 

Hans Stammreich

Hans Stammreich (1902 - 1969), alemão de nascimento, iniciou a carreira universitária em Berlim em 1925. Transferiu-se em 1933 para a França e depois para o Brasil em 1940. Em 1943 foi contratado pelo Departamento de Física da FFCL USP. A partir de 1947 interessou-se pela espectroscopia Raman e montou um laboratório de pesquisa nessa área, um dos pioneiros na construção de equipamentos científicos no Brasil, que conquistou projeção internacional pelas suas inovações. Levou a sua equipe para o Conjunto das Químicas, mas faleceu em 1969, antes da criação do Instituto de Química. O grupo passou a ser liderado pelo físico uspiano Oswaldo Sala e veio a constituir o Laboratório de Espectroscopia Molecular do IQ.

 

Heinrich Hauptmann

Heinrich Hauptmann (Breslau, Alemanha, 10/04/1905 – São Paulo, 21/07/1960), alemão de nascimento e naturalizado brasileiro, graduou-se e doutorou-se em Química em sua cidade natal e trabalhou com grandes nomes da ciência em centros europeus de alto nível. Chegou a São Paulo em fevereiro de 1935, contratado como assistente de Heinrich Rheinboldt para implantar o curso de Química da USP. Passou a orientar o setor de Química Orgânica e Biológica em 1939, defendendo cátedra em 1946. Chefiou o Departamento de Química da FFCL USP desde dezembro de 1955 até o seu falecimento. Foi o mentor e o articulador do projeto de construção do Conjunto das Químicas na Cidade Universitária.

 

Heinrich Rheinboldt

Heinrich Rheinboldt (Karlsruhe, Alemanha, 11/08/1891 – São Paulo, 05/12/1955), professor da Universidade de Bonn, Alemanha, foi contratado em 1934 para se encarregar do setor de Ciências Químicas da recém-fundada Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL) da USP, o qual dirigiu até o seu falecimento. Organizou o ensino segundo a tradição alemã, baseada em preleções acompanhadas de experimentos demonstrativos e no trabalho individual dos alunos no laboratório. Iniciou os estudos de Química Básica na universidade. Foi um cientista de formação eclética, educador e um profundo cultor da história da Química. Foi Presidente da SBPC no biênio 1953-1955.

 

Henrique Tastaldi

Henrique Tastaldi (11/05/1908 – 1988), médico, antigo colaborador de Jayme de Albuquerque Cavalcanti, na cadeira de Química Fisiológica da Faculdade de Medicina da USP, foi professor catedrático de Química Biológica na extinta Faculdade de Farmácia e Odontologia da USP e Diretor da Faculdade de Farmácia e Bioquímica da USP, onde foi posteriormente eleito Professor Emérito. Especializou-se em dosagem de vitaminas e ateromatose experimental em coelhos. Quando se instalou no Conjunto das Químicas, no bloco 9, era Professor de Disciplina da Faculdade de Odontologia.

 

Isaias Raw

Isaias Raw (São Paulo, 26/03/1927 – ), médico, catedrático de Química Fisiológica da Faculdade de Medicina, sucessor de Jayme de Albuquerque Cavalcanti e cultor de ideias avançadas sobre a universidade, foi o primeiro a se instalar com a sua equipe no ainda inacabado Conjunto das Químicas, em fins de 1965. A partir de 1970, o grupo passou a integrar o IQ USP e era o mais numeroso do Departamento de Bioquímica. Isaias Raw foi aposentado compulsoriamente pelo AI-5 em 1969 e não chegou a fazer parte do Instituto de Química, porém membros de sua seleta equipe alcançaram notoriedade na comunidade científica.

 

Ivo Giolito

Ivo Giolito (São Paulo, 10/03/1933 – 20/11/1992) graduou-se em Farmácia pela USP em 1957 e doutorou-se em 1968, sob a orientação de Ernesto Giesbrecht. Tornou-se professor associado em 1989 e professor titular em 1990, na área de Química Analítica. Montou um laboratório de estudos termoanalíticos no Instituto de Química em 1974 e foi um dos pioneiros na introdução e disseminação dessas técnicas no país. Presidiu a regional de São Paulo da Associação Brasileira de Química de 1982 a 1985 e representou o Brasil no IUPAC Analytical Chemical Nomenclature Commitee. Propôs a fundação da Associação Brasileira de Análise Térmica e Calorimetria em 1987. [Saiba mais]

 

Ivo Jordan

Ivo Jordan (03/02/1922 – São Paulo,1994), eletroquímico brasileiro, Master of Science pela Universidade de Wisconsin (1952) e Dr. Eng. pela Escola Politécnica (1955), sucedeu Francisco Maffei em 1964 na regência da cátedra de Físico-Química e Eletroquímica da Escola Politécnica. Em 1966 transferiu-se com o seu grupo de pesquisa em eletroquímica para o Conjunto das Químicas, cujo bloco 12 aprovara, na planta, em 7 de dezembro de 1964. Foi Chefe do Departamento de Química Fundamental de 1972 a 1976 e Vice-Diretor do IQ entre 1978 e 1982. Aposentou-se em 1982 e passou a exercer atividades no IPEN.

 

Jandyra França Barzaghi

Jandyra França (São Luis de Paraitinga, SP, 1915 – 27/05/2010) era professora primária da rede estadual, antes de ingressar na FFCL USP, em 1935. A sua passagem pela USP ficou marcada pelo pioneirismo. Foi a única mulher da primeira turma de formandos do curso de Química em 1937, a primeira mulher contratada como assistente na escola e a primeira a obter o título de Doutora na USP, defendido em 1942. Casou-se com Luciano Barzaghi, seu colega de turma no curso de Química. Demitiu-se voluntariamente em 1951, passando a se dedicar à família e a projetos educativos e comunitários. Na sua vaga de 1o Assistente da Cadeira de Química Orgânica e Biológica, regida por Heinrich Hauptmann, foi contratado Giuseppe Cilento.

 

José Manuel Riveros Nigra

José Manuel Riveros Nigra (16/04/1940 – ), paraguaio de nascimento, formado em Berkeley, California, em 1962, Ph.D. em Harvard em 1966 e pesquisador associado na Universidade de Columbia, foi contratado pelo Departamento de Química da FFCL USP em fins de 1967, com a intermediação de Simão Mathias. Instalou um laboratório de química teórica com instrumentação moderna para estudos mecanísticos de reações ion-molécula em fase gasosa por espectrometria de ressonância ciclotrônica de íons. Foi Chefe do Departamento de Química Fundamental de 1980 a 1982 e Diretor do Instituto de Química de 1982 a 1986.

 

Lucio Penna de Carvalho Lima

Lucio Penna de Carvalho Lima, catedrático de Microbiologia da Faculdade de Farmácia e Bioquímica da USP, renomado pelos seus dotes didáticos, instalou no bloco 9 do Conjunto das Químicas, com seus colaboradores, o Laboratório de Microbiologia. Como professor titular com mais tempo de serviço no exercício do cargo, foi Chefe interino do Departamento de Bioquímica, de janeiro a março de 1970, ao ser instalado o Instituto de Química. Foi também suplente do primeiro chefe do departamento. No início dos anos 1980, o seu grupo se transferiu para o Departamento de Microbiologia do ICB.

 

Marcello de Moura Campos

Marcello de Moura Campos (17/06/1921 - ), químico formado pela FFCL USP em 1942, foi assistente na escola e doutorou-se sob a orientação de Heinrich Hauptmann em 1950. Após estágio em Minnesota, Mineapolis, EUA, defendeu livre docência em 1954 na FFCL USP e em 1958 se tornou catedrático de Química Orgânica do Dpto. de Engenharia Química da Escola Politécnica da USP, de onde se transferiu com a sua equipe para o Conjunto das Químicas em 1966. Em 1970 afastou-se para assumir a Coordenadoria do Ensino Superior do Estado de São Paulo, órgão da Secretaria de Educação. Foi suplente do chefe do Departamento de Química Fundamental de 04/1973 a 04/1976 e aposentou-se em 30/04/1976.

 

Metry Bacila

Metry Bacila (Palmeira, PR, 22/06/1922 – Curitiba, PR, 03/05/2012), médico paranaense, com carreira científica já consolidada em seu estado natal, professor catedrático de Bioquímica e Biofísica da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP, instalou-se com seu grupo no bloco 9 do Conjunto das Químicas, em 1966, dedicando-se a pesquisas sobre bioenergética e sobre estrutura e função de enzimas do metabolismo glicídico. Aposentou-se em 1978 e retornou à Universidade Federal do Paraná, vindo a participar do Programa Antártico Brasileiro.

 

Nicola Petragnani

Nicola Petragnani (Roma, 16/05/1929 – 5/12/2015), cursou até o primeiro ano de Química na Universidade de Roma. Veio ao Brasil em 1947 e concluiu o curso na FFCL USP em 1951. Fez doutorado sob orientação de Heinrich Rheinboldt, trabalhando com compostos orgânicos de telúrio. Quando se instalou no Conjunto das Químicas em 1966, era professor adjunto da cadeira de Química Orgânica do Departamento de Engenharia Química da Escola Politécnica. De 1969 a 1976, coordenou o convênio CNPq/NAS, na área de síntese orgânica. Vários químicos sintéticos, atuantes hoje no meio acadêmico, tiveram sua formação no laboratório de Nicola Petragnani.

 

Otto Gottlieb

Otto Richard Gottlieb (Brno, Checoslováquia, atual República Checa, 31/08/1920 – Rio de Janeiro, 19/06/2011), filho de mãe brasileira, emigrou em 1939 para o Brasil, onde se naturalizou. Licenciado em química industrial pela Universidade do Brasil, Rio de Janeiro, em 1945, foi pioneiro no estudo da composição das plantas e veio a se tornar referência mundial na área de Fitoquímica. Ministrou cursos e criou grupos de pesquisa em universidades de todo o país. Foi fundador do Laboratório de Química de Produtos Naturais, criado pela FAPESP em 1967 e incorporado ao Instituto de Química da USP quando este foi instalado em 1970. Em 1999, teve o nome proposto para o prêmio Nobel de Química.

 

Paschoal Ernesto Américo Senise

Paschoal Ernesto Américo Senise (São Paulo, 19/08/1917 – São Paulo, 21/07/2011), graduado na primeira turma do curso de Química da USP em 1937, permaneceu na escola como assistente de Heinrich Rheinboldt, doutorando-se em 1942. Nos anos 1950, introduziu métodos instrumentais de análise química no Departamento de Química da FFCL. Tornou-se professor catedrático em 1965. Foi membro do Conselho Universitário da USP (1968-1987), onde coordenou a Câmara de Pós-Graduação por 17 anos e implantou o atual sistema de pós-graduação da USP. Foi diretor do IQ de 1970 a 1974 e de 1978 a 1982. Recebeu os títulos de Professor Emérito da USP (1987) e de Pesquisador Emérito do CNPq (2006). [Saiba mais]

 

Paulo Carvalho Ferreira

Paulo Carvalho Ferreira, professor catedrático e, na época, Diretor da Faculdade de Farmácia e Bioquímica, levou o seu grupo de Química Orgânica para o Conjunto das Químicas em 1966. Integrante da comissão nomeada em novembro de 1967 para reestruturação da USP e que elaborou o Relatório Ferri, defensor da reforma no Conselho Universitário, teve papel decisivo na integração dos vários grupos que vieram a constituir o Instituto de Química. Foi membro do Conselho do Fundo para Construção da Cidade Universitária e o primeiro representante da Congregação do IQ junto ao Conselho Universitário. Faleceu aos 19/03/1973.

 

Pawel Krumholz

Pawel Krumholz (Rajcza, Polônia, 30/08/1909 – São Paulo, 11/08/1973) fez seus estudos superiores e iniciou a carreira científica em Viena, Áustria, onde foi assistente de Fritz Feigl. Emigrou para o Brasil em 1941 e adquiriu a cidadania brasileira em 1945. Foi um dos fundadores da Orquima S. A. onde instalou laboratório de pesquisa e desenvolveu processo de separação e purificação de terras raras a partir de areia monazítica. Em 1966 tornou-se professor colaborador do Departamento de Química da FFCL USP, continuando depois no Instituto de Química. Pesquisador eclético, aliava vastos conhecimentos científicos e empresariais e exerceu grande influência na formação de jovens pesquisadores.

 

Simão Mathias

Simão Mathias (São Paulo, 26/08/1908 – São Paulo, 25/08/1991), graduado na primeira turma de Química da USP, permaneceu como assistente e foi o primeiro a obter o título de doutor pela USP, em 1942. Em 1946 introduziu pesquisas na área de Físico-Química no Departamento de Química da FFCL, que dirigiu de 1960 a 1969, providenciando a sua transferência para a Cidade Universitária em 1966. Foi diretor pró tempore do Instituto de Química de janeiro a março de 1970 e chefiou o Departamento de Química Fundamental de 1970 a 1972. Empenhou-se em atrair pesquisadores para abrir novos campos de pesquisa. Aposentado em 1972, dedicou-se à História e Filosofia da Ciência, em particular à História da Química.