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Cronologia Senise - 2012

Em 2012, José Thomaz Senise homenageia o irmão Paschoal, durante o workshop em Águas de Lindóia.

Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Química 28/05/2012

 

Paschoal Senise.

 

Sobre a pessoa e a obra do Professor Senise já se falou e escreveu muito. Resta adicionar algo mais sobre aspectos familiares da vida de Senise, atendendo ao que me foi pedido.

 

Nossa família era pequena. Nossos pais e três filhos: Paschoal, Dora e eu o caçula José.

 

O ambiente familiar era de perfeita harmonia, dádiva que ainda perdura nas gerações seguintes.

Mas voltemos ao Prof.Senise. Por que Paschoal?

Obedecendo à tradição familiar, o primeiro neto Senise deveria ter o nome do avô.

Por coincidência, os dois avôs, paterno e materno, chamavam-se Paschoal, ou melhor, Pasquale em italiano. Deu para homenagear os dois lados da família.

Ainda criança - não sei como e por qual razão - Paschoal não se adaptou ao nome que havia recebido, talvez por achá-lo muito sério, nome de gente grande. Gostou de apelidos italianos que ouvira de alguém, com algumas variações: Nino, Niní, Mimí, Mimo, ou Mimmo, com um ou dois emes. Escolheu Mimo. Nada a ver com o significado em português. Apenas duas sílabas, Mi-mo como Di-di, Le-lê ou outra combinação qualquer.

Daí em diante, Paschoal para uso externo e Mimo no círculo familiar.

Entre os seus desejos de criança havia o de querer ser médico. Esse desejo permaneceu vivo até quando, terminado o curso secundário e julgando-se não preparado para prestar exame para a Faculdade de Medicina, resolveu matricular-se no recém-criado curso de química da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da USP. O que aconteceu é bem conhecido: Paschoal desistiu da medicina. Seu sonho de criança não se realizou. Por sinal que nesse sonho ele se imaginava médico....das baratas, inseto sempre caçado, que lhe causava dó.

Entre colegas de escola e de faculdade, Paschoal nunca foi chamado Paschoal. Era conhecido como Senise. Creio que muitos até ignoravam o primeiro nome do Senise. O mesmo ocorreu ao longo de mais de setenta anos com muitos alunos, funcionários e colegas docentes da USP.

Solteirão, Paschoal teve duas famílias: sendo uma a família do Instituto de Química, que frequentava diariamente e com a qual compartilhou uma longa e proveitosa vida acadêmica.

Já nos tempos de estudante e no início da carreira, dizia-se em casa que Paschoal havia casado com a USP. Casamento feliz e indissolúvel.

A outra família era formada pelos irmãos, cunhados, sobrinhos, sobrinhos-netos, sobrinhos-bisnetos. Ao todo, quarenta pessoas.

Sob a aparência séria, austera, havia uma pessoa afável, generosa, serena. (Parêntese: Muito apropriadamente o Prof. Colli selecionou a serenidade para definir a personalidade de seu colega Senise). Nunca se esquecia de aniversários e outras datas comemorativas, para poder presentear ou felicitar parentes e amigos. Seus presentes eram famosos. Escolhia com gosto presentes tanto para a ala masculina como para a ala feminina da família. Particularmente apreciados e esperados eram os presentes para as crianças, para quem o Tio Mimo era um verdadeiro Tio Noel.

Sua generosidade não se restringia aos presentes e aos auxílios monetários a parentes, amigos e associações de caridade. Era generoso no aconselhamento, na orientação, tanto nos estudos, como na arte de viver.

Por sua cultura, por sua boa memória e pelos longos anos vividos, Paschoal era uma fonte de conhecimentos à qual recorriam amigos e parentes. Gostava de um bom papo sobre política, futebol, educação. Tive com ele longos papos tratando de questões universitárias. Apreciava música clássica, mas gostava mesmo de jazz e da boa música popular brasileira.

Perfeitamente lúcido até os últimos momentos de sua vida, faleceu de maneira digna e serena como sempre viveu. Descanse em paz!

 

Pronunciamento de José Thomaz Senise sobre seu irmão Paschoal Senise, no evento organizado pela Divisão de Química Analítica da SBQ, aos 28/05/2012.

(Imagem do acervo pessoal de Ivano Gutz e documento cedido por José Thomaz Senise).

 

Vídeo que registra um excerto do pronunciamento de José Thomaz em homenagem ao seu irmão.

(Acervo pessoal de Ivano Gutz)

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